Dieta Low Carb no tratamento do Mal de Alzheimer

15:17:00

Este é um artigo escrito por Caio Fleury do site Primal Brasil

É um artigo muito esclarecedor para quem quer entender por que ninguém está fadado a ter o Mal de Alzheimer
Ele vem tirando muitas dúvidas dos leitores sobre a dieta low-carb ultimamente, no seu site e através da Rádio Primal Brasil. Não deixem de conhecer!

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A incidência de casos do mal de alzheimer tem crescido exponencialmente durante as últimas décadas, chegando a representar quase 10% dos casos de morte nos Estados Unidos atualmente. Um grande salto comparado a meio século atrás, ou até mesmo pouco mais de 3 décadas atrás quando a doença passou a ser oficialmente reconhecida.
Embora fatores hereditários definitivamente levam a uma maior predisposição a doença, a dieta e outros fatores ambientais estão por trás da manifestação da doença. Pelo menos é o que este estudo recende demonstra com clareza. Esta hipótese levantada por ensaios clínicos no passado certamente é condizente com o que a ciência vem demonstrando com mais preponderância na última década.
Um número considerável de estudos atualmente colocam em destaque o papel crítico da dieta baixa em carboidratos na diminuição da progressão da doença e no tratamento definitivo da doença.
Eles reforçam os princípios da epigenética, a qual consiste na premissa de que os genes fornecem os fatores de transcrição para as proteínas, que influenciam a estrutura e a função celular e estas proteínas são essenciais na expressão genética que favoreça a progressão de muitas doenças que afligem o homem moderno.
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Vamos direto ao ponto, em um estudo pequeno um programa abrangente e personalizado de dieta baixa em carboidratos foi capaz de reverter a perda da memória de 9 dos 10 participantes. Você leu certo sim, A dieta com exercícios e suplementos foi muito eficaz não só na diminuição da progressão da doença, mas em reverter boa parte da doença em poucos meses de programa, sendo que em 10% dos casos, um paciente em estado crítico e avançado da doença reverteu totalmente sua condição.
Agora, se você gosta de números como eu, provavelmente ficará espantado com os resultados.Repetindo: 90% dos indivíduos reverteram boa parte da doença ou se curaram completamente da doença. Embora trate-se de uma amostra pequena, este resultado é tão chocante quanto surpreendente!
O estudo foi realizado por Dr. Dale Bredesen da UCLA Centro de pesquisa da doença de Alzheimer Mary S. Easton e do Instituto Buck de Pesquisa sobre o Envelhecimento.Mary S. Easton Center for Alzheimer’s Disease Research and the Buck Institute for Research on Aging.
O programa incluiu uma série de medidas terapêuticas incluindo mudanças abrangentes dieta, práticas para estimular o cérebro, exercício, sono adequado, medicamentos e vitaminas específicas.
Entre os 10 eram pacientes com perda de memória associada à doença de Alzheimer , disfunção cognitiva leve amnésico ou disfunção cognitiva subjetiva ( em que o paciente relata problemas cognitivos ) . Um paciente que tinha sido diagnosticado com a doença de Alzheimer fase tardia não melhorou, no entanto o paciente que estava no estado mais grave da doença teve os sintomas totalmente revertidos.
Em geral, apesar do trabalho com os pacientes ter sido personalizado, o que serviu como base das mudanças no estilo de vida dos indivíduos foi o seguinte, de acordo com o próprio estudo:
  • eliminar todos os carboidratos simples, glúten e alimentos processados ​​de suas dietas  e comer mais vegetais, frutas e peixes não criados em cativeiro.
  • meditar duas vezes por dia e começar yoga para reduzir o stress
  • dormir sete a oito horas por noite, ao invés de quatro ou cinco horas.
  • tomar melatonina, methylcobalamin, a vitamina D3, óleo de peixe e coenzima Q10 todo dia.
  • otimizar a higiene bucal usando um fio dental elétrico e escova de dentes elétrica.
  • restabelecer a terapia de reposição hormonal, que tinha sido previamente descontinuado
  • jejum por um período mínimo de 12 horas entre o jantar e o almoço, e um mínimo de três horas entre o jantar e dormir
  • Se exercitar no mínimo 30 minutos, quatro a seis dias por semana”
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Em resumo, uma série me marcadores biológicos forma otimizados para que os indivíduos atingissem o estado de saúde necessário para reverter o declínio cognitivo associado a doença, sendo os principais a redução dos níveis de insulina que em geral são facilmente estimulados com o consumo de carboidratos, o macronutriente que mais estimula a produção da insulina, o metabolismo da glicose que também é melhorado com a redução dos carboidratos, com o consumo de ervas e certos alimentos específicos exercícios e sono, além da redução dos níveis de inflamação, que possuem também uma ligação estreita com a redução dos carboidratos na dieta(milhares de estudos e uma série de meta-análises demostram  com clareza este efeito da dieta low-carb).
O programa teve a duração de 5 meses e meio até 2 anos em alguns indivíduos, sendo que ospacientes voltaram aos seus empregos com um desempenho surpreendentemente melhor do que o anterior. Sobre os resultados:
The results reported here are compatible with the notion that metabolic status represents a crucial, and readily manipulable, determinant of plasticity, and in particular of the abnormal balance of plasticity exhibited in SCI, MCI, and early AD. Furthermore, whereas the normalization of a single metabolic parameter, such as vitamin D3, may exert only a modest effect on pathogenesis, the optimization of a comprehensive set of parameters, which together form a functional network, may have a much more significant effect on pathogenesis and thus on function.
“Os resultados aqui apresentados são compatíveis com a noção de que o status metabólicorepresenta um determinante crucial e prontamente manipulável de plasticidade e em particular do equilíbrio anormal de plasticidade exibida em SCI, MCI e no começo da progressão do Mal de Alzheimer. Além disso enquanto que a normalização de um único parâmetro metabólico, tal como a vitamina D3, pode exercer apenas um efeito modesto sobre a patogénese, a optimização de um conjunto de parâmetros, que em conjunto formam uma rede funcional, pode ter um efeito muito mais significativo sobre a patogénese, e assim, sobre a função”
O resumo do estudo:
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“Resumo
Este relatório descreve um novo programa abrangente, personalizado e terapêutico que se baseia na raiz da patogênese do Mal de Alzheimer e que envolve várias modalidades concebidas para alcançar melhoras metabólicas para a neurodegeneração. Os primeiros 10 pacientes que utilizaram este programa são pacientes com perda de memória associada à doença de Alzheimer (DA), comprometimento cognitivo leve (amnestic mild cognitive impairment), ou comprometimento cognitivo subjetivo. Nove dos 10 exibiram melhora subjetiva ou objetiva na cognição iniciando dentro de 3-6 meses, com um caso de um paciente em fase avançada do Mal de Alzheimer. Seis dos pacientes tiveram que interromper o trabalho ou estavam tendo muita dificuldade com os seus empregos no momento da apresentação, e todos foram capazes de retornar ao trabalho ou continuar a trabalhar com melhor desempenho.
As melhorias têm sido sustentadas e neste momento o acompanhamento mais longo de um paciente foi de dois anos e meio desde o tratamento inicial, com melhoras sustentáveis e notáveis. Estes resultados sugerem que um ensaio clinico maior deste programa terapêutico seja garantido.Os resultados também sugerem que, pelo menos no início da doença o declínio cognitivo pode ser impulsionado em grande parte por processos metabólicos. Além disso, por conta do fracasso da monoterapia no mal de Alzheimer, até o momento, os resultados levantam a possibilidade de que um sistema terapêutico do tipo pode ser útil como uma plataforma sobre a qual as drogas que falhariam como monoterapia, podem ter sucesso, como componentes essenciais de um sistema terapêutico.”
Apesar da forte influência genética sobre patologias crônicas, a epigenética é um campo de estudo promissor e parece ser o fator chave no desenvolvimento de diversas doenças modernas.Basicamente trata-se do gatilho ambiental, ou o estímulo que desencadeia certas doenças. Para mim e para muitos, fica cada vez mais evidente o papel do ambiente o qual estamos inseridos, os estímulos e suas variáveis no tratamento, cura e prevenção de doenças.

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